SOFT PORN SEM SEXO E SEM APPEAL
Novo filme de Mike Nichols nem fode nem sai de cima

Amor, sexo, desejo, traição. Com temas assim, as possibilidades são muitas na hora de fazer um filme. Mas o veterano Mike Nichols, bem longe de seus áureos tempos de A Primeira Noite de um Homem (67), um dos melhores filmes da década de sessenta, preferiu o blá-blá-blá. A adaptação da peça de Patrick Marber para o cinema aposta na qualidade do texto original e na desenvoltura dos atores para interpretá-lo. Isso já havia dado certo com o próprio Nichols, em seu filme de estréia, Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (66), mas não se repetiu na nova investida do diretor.
A primeira questão a se discutir é justamente a base de todo o filme, o texto. Na ânsia de causar impacto com os temas já citados aqui, Marber apelou para lugares comuns como os diálogos com respostas rápidas e engraçadinhas ou a aparentemente ousada decisão de verbalizar nomes chulos para órgãos, personas e ações sexuais ou palavrões. Ousada talvez somente na terra que reelegeu o vaqueiro como presidente. Num país sexualizado como o Brasil - e isso não é uma crítica, o texto de Marber tem alguma graça. Pouca.
Outro problema fundamental: diferentemente do primeiro filme do cineasta, os atores aqui - todos bons atores, por sinal - nunca são grandes atores, sequer têm grandes momentos. Julia Roberts, que merece crédito por aceitar falar sacanagem no cinema, não é Elizabeth Taylor, e Jude Law não consegue encontrar o equilíbrio entre o jocoso e o patético. É o pior na tela. As tão aclamadas performances de Natalie Portman, alçada à merecida condição de ninfeta da vez, e Clive Owen não passam do correto.
Portman é a melhor do quarteto, mas sua personagem enfraquece pela falta de definição. Owen tenta fazer o grandalhão alucinado e obsessivo, mas esbarra em suas limitações como ator e no texto, ruim, que lhe deram para decorar. A cena de sexo virtual é curiosa, mas o fotógrafo Stephen Goldblatt deve ter dormido por ali já que a seqüência, como quase todo o filme, não parece cinema, mas teatro. No único momento em que Nichols resolve fazer cinema de verdade, Natalie Portman aparece em toda sua beleza. Pouco para um filme inteiro, onde a direção se acomodou (ou se acovardou) na adaptação da linguagem do texto original, resumindo a tradução à reprodução. E isso é quase nada quando o texto é ruim como aqui.
CLOSER - PERTO DEMAIS
Closer, Estados Unidos, 2004.
Direção: Mike Nichols.
Roteiro: Patrick Marber, baseado em sua peça.
Elenco: Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen.
Fotografia: Stephen Goldblatt. Montagem: John Bloom e Antonia Van Driemelen. Direção de Arte: Tim Hatley. Figurinos: Ann Roth. Produção: Cary Brokaw, John Calley, Mike Nichols, Scott Rudin e Robert Fox. Site Oficial: www.sonypictures.com/movies/closer..
rodapé:
Sem tempo, sem saco e sem filmes para escrever sobre. Isso fora o Alfred, que me ocupou bastante neste mês. Mas agora vou tentar regularizar esse blogue. Ah, continua impressionante a habilidade nula das distribuidoras com a versão brasileira para os títulos de filmes. Closer ganhou um completamente desnecessário
nas picapes: Play with Fire, de The Rolling Stones.
Novo filme de Mike Nichols nem fode nem sai de cima

Amor, sexo, desejo, traição. Com temas assim, as possibilidades são muitas na hora de fazer um filme. Mas o veterano Mike Nichols, bem longe de seus áureos tempos de A Primeira Noite de um Homem (67), um dos melhores filmes da década de sessenta, preferiu o blá-blá-blá. A adaptação da peça de Patrick Marber para o cinema aposta na qualidade do texto original e na desenvoltura dos atores para interpretá-lo. Isso já havia dado certo com o próprio Nichols, em seu filme de estréia, Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (66), mas não se repetiu na nova investida do diretor.
A primeira questão a se discutir é justamente a base de todo o filme, o texto. Na ânsia de causar impacto com os temas já citados aqui, Marber apelou para lugares comuns como os diálogos com respostas rápidas e engraçadinhas ou a aparentemente ousada decisão de verbalizar nomes chulos para órgãos, personas e ações sexuais ou palavrões. Ousada talvez somente na terra que reelegeu o vaqueiro como presidente. Num país sexualizado como o Brasil - e isso não é uma crítica, o texto de Marber tem alguma graça. Pouca.
Outro problema fundamental: diferentemente do primeiro filme do cineasta, os atores aqui - todos bons atores, por sinal - nunca são grandes atores, sequer têm grandes momentos. Julia Roberts, que merece crédito por aceitar falar sacanagem no cinema, não é Elizabeth Taylor, e Jude Law não consegue encontrar o equilíbrio entre o jocoso e o patético. É o pior na tela. As tão aclamadas performances de Natalie Portman, alçada à merecida condição de ninfeta da vez, e Clive Owen não passam do correto.
Portman é a melhor do quarteto, mas sua personagem enfraquece pela falta de definição. Owen tenta fazer o grandalhão alucinado e obsessivo, mas esbarra em suas limitações como ator e no texto, ruim, que lhe deram para decorar. A cena de sexo virtual é curiosa, mas o fotógrafo Stephen Goldblatt deve ter dormido por ali já que a seqüência, como quase todo o filme, não parece cinema, mas teatro. No único momento em que Nichols resolve fazer cinema de verdade, Natalie Portman aparece em toda sua beleza. Pouco para um filme inteiro, onde a direção se acomodou (ou se acovardou) na adaptação da linguagem do texto original, resumindo a tradução à reprodução. E isso é quase nada quando o texto é ruim como aqui.
CLOSER - PERTO DEMAIS

Closer, Estados Unidos, 2004.
Direção: Mike Nichols.
Roteiro: Patrick Marber, baseado em sua peça.
Elenco: Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen.
Fotografia: Stephen Goldblatt. Montagem: John Bloom e Antonia Van Driemelen. Direção de Arte: Tim Hatley. Figurinos: Ann Roth. Produção: Cary Brokaw, John Calley, Mike Nichols, Scott Rudin e Robert Fox. Site Oficial: www.sonypictures.com/movies/closer..
rodapé:
Sem tempo, sem saco e sem filmes para escrever sobre. Isso fora o Alfred, que me ocupou bastante neste mês. Mas agora vou tentar regularizar esse blogue. Ah, continua impressionante a habilidade nula das distribuidoras com a versão brasileira para os títulos de filmes. Closer ganhou um completamente desnecessário
nas picapes: Play with Fire, de The Rolling Stones.