[f i l m e s d o c h i c o]

22 de fev de 2007

[próximo capítulo]


You say yes, I say no
You say stop and I say go go go, oh no
You say goodbye and I say hello
Hello hello
I don't know why you say goodbye, I say hello

O filmes do chico chegou ao fim. Depois de quatro anos aqui conversando com vocês sobre cinema, chegou a hora de mudar. Mas é pra logo ali. A partir de hoje, quinta-feira, 22 de fevereiro, este blogue integra o grupo de páginas do Interney Blogs, o primeiro portal profissional de blogues do país. Com isso, o capítulo Blogspot se encerra e o novo endereço do blogue passa a ser esse aqui. Estaria mentindo se eu dissesse a vocês que vou sentir saudades daqui. E estaria mentindo muito mais se dissesse que não vou esperar vocês por lá.

Então, até logo.
Chico.

19 de fev de 2007

[borat]

[em cartaz]

[borat - o segundo melhor repórter do glorioso país casaquistão viaja à américa ]
direção: Larry Charles.

Borat, 2006. É impossível negar que há méritos notáveis em Borat, mas o falso documentário não raramente se afoga no mesmo mar de situações que pretende denunciar. Incomoda um pouco a premeditada falta completa de escrúpulos, que, apesar de ter, talvez, motivações exatamente contrárias, rende episódios misóginos, racistas e de intolerância, que, sob a égide do engraçado, sarcástico, irônico e jocoso, ganha sua justificativa. O vale-tudo a que o filme se propõe abre espaço, já de início, para a idiotização de um povo e de uma cultura. Há cenas geniais, como a do discurso no meio do rodeio ou a do jantar, onde, aí sim, de verdade, Sacha Baron Cohen desconstrói certas lógicas do pensamento do norte-americano médio (e medíocre) colocando esse norte-americano em suas próprias armadilhas, mas há episódios desnecessários e de mau gosto como boa parte das citações sexuais, que de tão assumidamente estúpidas perdem o efeito, ou a entrevista com as feministas. Em certo ponto, os efeitos do filme guardam certas semelhanças deploráveis com os do cinema de Michael Moore, que-deus-o-tenha, uma coisa tipo "o sujo falando do mal lavado" ou "os fins justificam os meios". O humor fácil, que arrebata rapidamente, é um instrumento perfeito para uma crítica ácida, mas faz ressoar preconceitos às avessas.

Com Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell e Pamela Anderson.

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18 de fev de 2007

[antonia]

[em cartaz]

[antonia ]
direção: Tata Amaral.

Antonia, 2007. Numa avaliação inicial, mais envolvida pelo clima da sessão de pré-estréia, poderia até ganhar mais uma estrela, mas, sem o calor do momento, ainda continua um filme muito bom mesmo. A câmera na mão funciona como nos melhores filmes dos Dardenne, de certa forma tentando dar conta das personagens por inteiro. Essa, inclusive, parece ser uma preocupação de Tata Amaral, que dá densidade às quatro amigas cantoras de rap. As moças, todas inexperientes no cinema, se saem admiravelmente bem, com destaque especial para Leilah Moreno, que tem cenas excepcionais. Ao invadir às vidas de quatro mulheres, a diretora faz um recorte de múltiplas dimensões da vida na periferia da cidade grande. Thaíde é um brinde.

Com Negra Li, Leilah Moreno, Cindy, Quelynah, Thaíde.

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[a rainha]

[em cartaz]



[a rainha ]
direção: Stephen Frears.

The Queen, 2006. Competente relato de Stephen Frears, que há tempos nos devia um filme bom de verdade, sobre a semana seguinte à morte da princesa Diana no Palácio de Buckingham. Como era esperado, Helen Mirren está maravilhosa, mas sem picos de explosão como se espera das grandes interpretações (e cuja ausência talvez faça desta uma grande interpretação). O filme tem o tom frio da nobreza britânica e, mais do que crítica à família real, é uma ode à princesa morta. As inserções documentais enriquecem o contexto, mas, de certa forma, enfraquecem a dramaturgia. É um filme bom que sabe se esgueirar sem alardes belos bastidores da intrigas palacianas, mas não é tão grande quanto queriam.

Com Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Sims.

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[em cartaz]

[em cartaz]

[o homem duplo ]
direção: Richard Linklater.

A Scanner Darkly, 2006. O texto de Philip K. Dick dá consistência à animação de Linklater, o que faltava em Waking Life (2001), que muitas vezes parecia ter um discurso vazio, embora eu goste do filme. Pode ser assimilado tranqüilamente como entretenimento inteligente, mas as discussões não raramente saltam do subtexto para o primeiro plano. Faz umas reflexões interessantes sobre a paranóia da vigilância, a corrupção intrínseca ao sistema, a dependência química, na mesma medida em que zomba destas reflexões. O trabalho de animação é, mais uma vez, delicioso e os atores estão bem, incluindo mr. Reeves, com destaque para o alucinado Robert Downey Jr., numa de suas melhores passagens pela tela.

Com Keanu Reeves, Robert Downey Jr., Woody Harrelson, Rory Cochrane, Winona Ryder

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14 de fev de 2007

[pecados íntimos]

[em cartaz]


[pecados íntimos ]
direção: Todd Field.

Pecados Íntimos, 2006. Pecados Íntimos teve um efeito curioso para mim. Eu simplesmente adorei a narração em off, que apresenta e dá uma nova dimensão aos dramas das personagens. A opção de Todd Field é, digamos, menos cinematográfica, mas tem um efeito literário muito melhor, gerando uma espécie de segundo autor, como se Tom Perrotta estivesse ali, fazendo suas observações na sua frente. O elenco está afinado, mas, apesar das indicações ao Oscar de Kate Winslet, muito bem, e Jackie Earle Haley, apenas muito esquisito, a melhor interpretação me parece ser, de longe, a de Patrick Wilson, com sua personagem imóvel e que não sabe se relacionar com o mundo que o cerca. Mas, curiosamente, apesar do belo impacto inicial, o filme vai perdendo força com o passar da projeção, culminando numa sobreposição de histórias que ameaça ter semelhanças com o famigerado Crash, de Paul Haggis, mas felizmente somente ameaça.

Com Patrick Wilson, Kate Winsslet, Jennifer Connelly, Jackie Earle Haley, Phyllis Sommerville.

[retratos de família]

[no sofá]



[retratos de família ]
direção: Phil Morrison.

Junebug, 2005. Guarda alguns vícios indies, mas, resumindo e fazendo uma avaliação bastante superficial, me parece que aqui tudo o que foi rascunhado e que não deu certo em Eu, Você e Todos Nós, de Miranda July, funcionou. Temos menos atores, mas um punhado de histórias familiares mais consistentes e um microverso mais definido e, por isso mesmo, mais denso. Não há artifícios intelectualóides chibungas nem peixinhos dourados. Tudo parece muito cruel por ser muito de verdade. E Amy Adams é uma atriz perfeita, que sabe transitar da inocência inicial de sua personagem a um segundo momento em que revela uma visão extremamente complexa do mundo numa cena que é de um rasgo emocional vista poucas vezes no cinema de hoje.

Com Embeth Davidtz, Alessandro Nivola, Scott Wilson, Benjamin McKenzie, Celia Weston,
Amy Adams.

[à procura da felicidade]

[em cartaz]


[à procura da felicidade ]
direção: Gabriele Muccino.

The Pursuit of Happynness, 2006. É o filme de um homem só. Tinha tudo para ser mais um exemplar arrogante de veículo para astros, mas tem duas grandes diferenças. A primeira é a presença de Gabriele Muccino, em sua estréia em Hollywood, um diretor que sabe dominar o melodrama, como fez muitíssimo bem em O Último Beijo (2003). Ele sabe dar o tom exato a um roteiro que poderia ter resultados desastrosos nas mãos de um diretor mais óbvio. A segunda é o próprio astro em questão. Will Smith me parece estar mais elaborado cada vez que entra em cena. Na verdade, eu o admiro como ator desde sua performance em Seis Graus de Separação (1993). Sabe administrar sua carreira intercalando blockbusters que lhe rendem milhões e filmes que lhe dão credibilidade. Sua interpretação aqui é simples, sem afetações, séria. Um belo momento de um ator que busca por respeito. E merece.

Com Will Smith, Jaden Christopher Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta.

6 de fev de 2007

[alfred 2006]



Os indicados para o Alfred 2006, o prêmio de melhores do ano no cinema segundo a Liga dos Blogues Cinematográficos, já estão online, no blogue da Liga. As cédulas para que os integrantes votem nos seus favoritos foram enviadas. Os votos serão recebidos até o dia 14 de fevereiro. Na quinta, dia 15, a partir das 21h, serão divulgados os vencedores também no blogue da liga.

5 de fev de 2007

[o último rei da escócia]

[em cartaz]


[o último rei da escócia ]
direção: Kevin Macdonald.

The Last King of Scotland, 2006. O que mais me impressionou em O Último Rei da Escócia é que a interpretação de James McAvoy, o adorável fauno de As Crônicas de Nárnia: o Leão, o Guarda-Roupas e a Feiticeira (2005), única coisa que presta no filme por sinal, rivaliza com a festejada e premiada performance de Forest Whitaker, que deve ganhar o Oscar pela encarnação do ditador Idi Amin. McAvoy, a meu ver, é o verdadeiro protagonista do filme. Seu tipo irresponsável ganhou ótima composição. Já
Whitaker, um grande ator em momento generoso, é um coadjuvante categoria um, mais ou menos isso. A dupla, em seus encontros ou nas cenas solo, são o que há de melhor no filme, exemplar básico de cinema histórico. As inserções sonoras são um diferencial interessante, mas apenas deixam a forma menos óbvia.

Com James McAvoy, Forest Whitaker, Gillian Anderson, Kerry Washington.

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[apocalyto]

[em cartaz]


[apocalypto ]
direção: Mel Gibson.

Apocalypto, 2006. Mel Gibson é aquela mala pesadae um cara que não merece perdão pela sua estupidez, mas ele tem seu talento. O problema é que esse talento é hiperdimensionado seja para o bem, seja para o mal. Como diretor, seu maior mérito ainda é Coração Valente (1995), que é um bom filme, exemplar de cinema masculino bem realizado, e seu maior demérito, A Paixão de Cristo (2004), exercício de arrogância quase racista e afeito à violência extrema como se ela significasse fazer um cinema realista. É a mesma lógica de filmes imbecis como a trilogia Jogos Mortais só que com o manto de Jesus usado como escudo protetor. Algo como cale-se e aceite a palavra de Deus ou serás um infiel.

Em Apocalypto, Gibson recupera a virilidade de seu grande acerto, mas a mescla com a brutalidade gratuita de seu grande pecado. A caça à anta é divertida e bem filmada até o bicho ir pro espeto e você se tocar de que só é muito macho quem tem coragem de mostrar uma cena daquelas. Ou pelo menos é assim que acha o comandante dessa história. Mas há algumas coisas que precisam ser admirado no diretor: ele sabe se cercar de bons auxiliares (em Apocalypto, a fotografia a-bruxa-de-blairiana funciona muito bem, a montagem estamos-em-uma-grande-corrida igualmente e a composição sonora - a trilha não, que é ruim - é perfeita). Além disso, bancar um filme falado numa língua morta (?), com grande investimento em cenários, viagens e efeitos visuais não é para qualquer um. Mas se utilizar da desse material para realizar um compêndio de violência, escatologia e uma tosquíssima mensagem sobre proteger sua família - seria um trocadilho conceitual com tudo o que Mel acredita? - é validar o cinema como um campo de batalha sem qualquer nuance, estúpido como seu diretor, que é uma pessoa ruim, mas sabe fazer filme musculosos como ninguém. Ainda bem, basta um.

Com Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer, Morris Birdyellowhead, Carlos Emilios Baez.

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4 de fev de 2007

[mais estranho que a ficção]

[em cartaz]



[mais estranho que a ficção ]
direção: Marc Foster.

Stranger than Fiction, 2006. Sei que é feio falar isso, mas como um filme que é uma cópia descarada de todo o material criado por Charlie Kaufman, sobretudo em Adaptação (Spike Jonze, 2002) concorre a melhor roteiro original no prêmio do Writers Guild of America? Talvez seja o tom melancólico que o diretor Marc Foster e sua trilha sonora impõem ao longa, querendo nos cooptar para aquele universo. Talvez seja o carisma tosco do Will Ferrell tentando acreditar no texto ou a gracinha da Maggie Gyllenhaal - de longe a melhor personagem porque é a menos afetada e porque é a menos criativa - ou o Dustin Hoffman, reciclando seu papel de maluquinho tipo naquele filme horrível Huckabees que ganhou seus fãs ou talvez seja o esforço sobre-humano da Emma Thompson em parecer ridícula num papel chatíssimo e pouco convincente. Dito isso, sobra a vontade. Eu até tive vontade de gostar um pouquinho do filme - e até gostei um pouquinho. Mas foi só.

Com Will Ferrell, Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman, Emma Thompson, Queen Latifah.

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[diamante de sangue]

[em cartaz]



[diamante de sangue ]
direção: Edward Zwick.

Blood Diamond, 2006. Confesso que estava animado com o filme, com seu protagonista de moral falha, interpretado com um sarcasmo Bogartiano pelo Leonardo Di Caprio. Parecia um filme não apenas divertido - afinal, é um filme de aventura com contexto atual em moldes antigos -, mas de certa forma com alguma preocupações ingênuas que temos o hábito de condenar pelo bom mocismo, mas que devem ser preservadas. Era, até certo ponto da projeção, o melhor filme de Edward Zwick. Comecei a pensar que ele havia evoluído, largado o dramalhão em troca das causas sociais (elas são chatas, mas nem tanto quanto). Então, o filme que já estava quase ganhando suas três estrelinhas ganha contornos de revolução espeiritual, quando o protagonista, no que deveria ser o clímax de seus atos de canalhice, fica bonzinho. Mas tão bonzinho que põe quase tudo a perder. Depois desse ato de bondade (não deixa de ser uma revolução ficar sem protagonista nos dez minutos finais de um filme praticamente escorado em seu astro), Zwick mostra como é um diretor de poucas idéias e emula o final de O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005) para dizer tchau em tom grandioso para o espectador.

Com Leonardo Di Caprio, Djimon Hounsou, Jennifer Connelly, Michael Sheen.

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29 de jan de 2007

[post de aniversário]

[quatro anos]

Era o dia 29 de janeiro de 2003. Eu, recém-saído de São José dos Campos, numa época de uma crise pessoal fodida na minha vida, usava o computador do meu amigo Guilherme Lamenha, na casa dele, em São Paulo, para criar o [filmes do chico]. A idéia de ter um espaço onde eu fosse escrever sobre cinema me parecia muito metida à besta. Dois meses antes, eu, depois de muito relutar, tinha aberto um blogue pessoal chamado Universos Paralelos, encerrado há um bom tempo, onde eu já fazia alguns comentários sobre filmes, algo que sempre me interessou, mas ter um bloco de anotações sobre cinema online e acessível a todos era bem assustador. Minha visão foi mudando devagar. Aos poucos, fui descobrindo páginas pessoais que abordavam temas específicos, inclusive o cinema.

Foi assim que eu cheguei aos pioneiros: o Cinema Cuspido e Escarrado, do Marcelo V., uma das primeiras encarnações do The Bridge, do Tobey, an Acer, o hoje desativado Filmes GLS ou Quase, do Egídio La Pasta Jr., e aquele que talvez seja o grande blogue de cinema do Brasil, Diário de um Cinéfilo, do Ailton Monteiro. Freqüentando estes endereços, e mais alguns outros que falavam não somente mas também de cinema, como o The Way Things Are, do Teco Apple, eu tomei coragem e resolvi fazer a minha página, que começou simples, mas com muita empolgação. O ritual de assistir a um filme e escrever sobre ele aqui era delicioso e me animava a atualizá-la cada vez mais. O tempo foi passando e, quando eu vi, já morava em Salvador quando meu blogue fez um ano de vida. A essa altura, aqui mesmo eu propus a criação da Liga dos Blogues Cinematográficos, uma brincadeira que hoje me dá muito orgulho pelo tanto que mobiliza esta blogosfera cinematográfica.

Com a convivência, os comentários me trouxeram parceiros, colegas e - por que não? - amigos. Pessoas que, cada uma a seu modo, fazem parte do meu dia-a-dia, das minhas conversas no MSN, das calorosas discussões na lista da liga, dos debates nos próprios blogues. Do Ceará ao Rio Grande do Sul, gente que gosta de cinema achou aqui no meu blogue um ponto de encontro. Foi aqui que eu conheci o Roger lá do Mato Grosso, a gauchinha Fer Funchal e o goiano Layo, e é por causa desta página que eu me bati com o Milton do Prado de lá de Montreal, no Canadá. Hoje, ele, o Guilherme Martins e o ligado-na-tomada Mateus Nagime são parceiros na organização da liga, assim como outra grande nova amiga, a Ana Paul. E foi aqui que eu terminei conhecendo também o grande Michel Simões, o Tiago Superoito, melhor texto de cinema na internet, o Diego Maia, amigo desde o começo, Sérgio Alpendre, a simpatia em pessoa, e os meninos-prodígio Rudá Lemos, Ed, Samuel L., o Buzz, Guga Valente e Rodrigo Pierre.

Quem freqüenta esse blogue conhece minha passionalidade e minha psicopatia por listas. Então, segue mais uma só com filmes que entraram para a minha vida durante estes quatro anos:



O Céu de Suely, de Karim Aïnouz.
Quando eu tive certeza de que não era só eu.

Elefante, de Gus Van Sant
Não é a vida e todas suas formas e possibilidades?

O Novo Mundo, de Terrence Malick.
Eu vi meu assustador poder de adaptação.

A Dama na Água, de M. Night Shyamalan.
Quando eu me desprendi da minha (pequena) parte de adulto.

Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater.
Romântico, ainda.

Reis e Rainha, de Arnaud Desplechin.
Para ter certeza de que se está vivo.

Marcas da Violência, de David Cronenberg.
O conforto de ter para onde voltar.

O Pântano, de Lucrecia Martel.
Ou a dificuldade para emergir.

Clean, de Olivier Assayas.
Para não esquecer que depois da morte vem a ressurreição.

O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee.
O particular que é muito maior.

E, pra reprisar o ano passado, sempre me dá vontade de repetir muitas vezes obrigado pela companhia para o William Wilson, LeoN, Eduardo Miranda, Vebis, Demas, Leo Mecchi, Moacy Cirne, Fabrício K., Peerre, Filipe Furtado, Janzinha, Antonio Saints, Carlos Massari, Daniel Pilon, Christopher, Wallace Guedes, Tata, Chiko, Rodrigo Azevedo, Ronald Perrone, Thomaz, Bruno Reame, Davi & Iris, Felipe Leal, Felipe Sudo, Walrus, Renato Silveira, André de Leones, Camila Vieira, Alexandre Inagaki, Takeo, Marcelo Miranda, Francis Vogner, Gabriel Carneiro, Miura, Paulo Jr., Pips, Tisf, Marvin, Marlonn, Marfil, LFM, Marlos, Harry Maddox, Julio Bezerra, Lucian Chaussard, Wilson, Marcos A. Felipe, Hudson, César Oliveira, Beto Almeida, Tatica, Rafael, Vitor, Lemuel, Ernesto, Carol, quem eu esqueci de citar e quem nunca deixa comentário.


P.S.: no oscarBUZZ, minhas reações aos prêmios do SAG e o que eles deverão influir na corrida pelo Oscar. E, no dia 7 de fevereiro, saem os indicados para a quarta edição do Alfred, o prêmio dos melhores no ano no cinema, no blogue da Liga dos Blogues Cinematográficos.

21 de jan de 2007

[Oscar + Alfred]



[apostas para o Oscar]

Comecei a postar minhas apostas finais para todas as categorias de longa-metragem do Oscar. As apostas e textinhos para as categorias de filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante estão no oscarBUZZ.

As cédulas para a votação no Alfred 2006, o prêmio dos melhores do ano no cinema, foram enviadas para os 67 integrantes com direito a voto da Liga dos Blogues Cinematográficos. O prazo para devolver a cédula preenchida é até o dia 3 de fevereiro. O anúncio dos indicados nas vinte categorias do Alfred 2006 acontecerá no dia 7 de fevereiro.

[cédula do alfred]

[minha cédula de votação para o Alfred 2006]

filme do ano

1 O Céu de Suely
2 O Novo Mundo
3 O Segredo de Brokeback Mountain
4 Caché
5 A Dama na Água

direção

1 Michael Haneke (Caché)
2 Terrence Malick (O Novo Mundo)
3 Karim Aïnouz (O Céu de Suely)
4 Philippe Garrel (Amantes Constantes)
5 Spike Lee (O Plano Perfeito)

ator

1 Heath Ledger (O Segredo de Brokeback Mountain)
2 David Strathairn (Boa Noite, e Boa Sorte.)
3 Leonardo Di Caprio (Os Infiltrados)
4 Clive Owen (O Plano Perfeito)
5 Philip Seymour Hoffman (Capote)

atriz

1 Hermila Guedes (O Céu de Suely)
2 Q'Orianka Kilcher (O Novo Mundo)
3 Valeria Bruni-Tedeschi (Amor em 5 Tempos)
4 Felicity Huffman (Transamérica)
5 Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)

ator coadjuvante

1 Owen Kline (A Lula e a Baleia)
2 Selton Mello (Árido Movie)
3 Vincent D'Onofrio (Impulsividade)
4 João Miguel (O Céu de Suely)
5 Jack Nicholson (Os Infiltrados)

atriz coadjuvante

1 Melissa Leo (Três Enterros)
2 Meryl Streep (A Última Noite)
3 Amy Adams (Retratos de Família)
4 Emily Blunt (O Diabo Veste Prada)
5 Mariana Lima (Árido Movie)

elenco

1 Orgulho & Preconceito
2 A Última Noite
3 Árido Movie
4 A Lula e a Baleia
5 O Céu de Suely

roteiro original

1 O Novo Mundo
2 Caché
3 O Plano Perfeito
4 Amantes Constantes
5 O Crocodilo

roteiro adaptado

1 O Céu de Suely
2 Impulsividade
3 A Casa do Lago
4 Orgulho & Preconceito
5 O Segredo de Brokeback Mountain

cena do ano

1 A motocicleta voltando (O Céu de Suely)
2 A navalha (Caché)
3 A discussão às margens do rio (O Segredo de Brokeback Mountain)
4 This Time Tomorrow (Amantes Constantes)
5 Superman observa a casa de Lois (Superman, o Retorno)

filme de estréia

1 Impulsividade
2 Orgulho & Preconceito
3 Estamira
4 Retratos de Família
5 Eu me Lembro

filme brasileiro

1 O Céu de Suely
2 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
3 Estamira
4 Árido Movie
5 A Concepção

fotografia

1 2046
2 Caché
3 Miami Vice
4 Dália Negra
5 Amantes Constantes

montagem

1 Caché
2 2046
3 Miami Vice
4 O Novo Mundo
5 Munique

direção de arte

1 2046
2 Dália Negra
3 O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
4 O Labirinto do Fauno
5 O Novo Mundo

trilha sonora

1 O Labirinto do Fauno
2 O Segredo de Brokeback Mountain
3 Orgulho & Preconceito
4 O Plano Perfeito
5 A Dama na Água

canção

1 "Move Away and Shine" (Impulsividade)
2 "La Naissance de l'Amour" (O Sabor da Melancia)
3 "Tell Ol? Bill" (Terra Fria)
4 "The Maker Makes" (O Segredo de Brokeback Mountain)
5 "A Love that Will Never Grow Old" (O Segredo de Brokeback Mountain)

som

1 2046
2 Miami Vice
3 Munique
4 O Novo Mundo
5 Superman, o Retorno

efeitos visuais

1 O Labirinto do Fauno
2 Piratas do Caribe: o Baú da Morte
3 Superman, o Retorno
4 Terror em Silent Hill
5 X-Men: o Confronto Final

pior filme

1 Fonte da Vida
2 Menina Má.com
3 A Promessa
4 Time
5 O Assassinato de Richard Nixon

19 de jan de 2007

[babel]


[tribunal de um mundo globalizado]



Alejandro Gonzalez Iñarritu ficou irritado quando resolveram comparar seu Babel com Crash, vencedor do Oscar de melhor e do Alfred de pior filme do ano passado. Segundo ele, que afirma odiar o longa de Paul Haggis, seu trabalho não julga suas personagens, coisa que o outro filme faz de sobra. A declaração me tomou de surpresa porque o longa do mexicano não me parece nada mais do que uma versão globalizada das fatalidades do filme de Haggis. Mas, pensando bem, dá até para concordar com ele: ao contrário de Haggis, o mexicano não procura determinar o caráter de seus protagonistas e condená-los à corrupção do espírito. Babel, por determinado prisma, é mais cruel porque, nele, o carrossel de fatalidades é apenas um mecanismo com que o diretor se reserva o direito de brincar.

O modelo labiríntico que Alejandro Gonzalez Iñarritú vem desenvolvendo desde que começou a filmar é, ao que parece, a idéia que se tem de bom cinema hoje em dia. A administração de histórias paralelas e de seus entrelaces e interrelações requer certa arquitetura de roteiro e direção, um trabalho que aparenta ser mais braçal - e é - do que as narrativas lineares. O modelo não é novo. Robert Altman se utiliza dele há cerca de quarenta anos e, mesmo com alguns tropeços, produziu muita coisa boa. Mas o que parece se querer enfatizar nesses novos exemplos é uma disposição sociológica de seus novos maestros.

A proposta de Iñarritú foi lançada com eficácia em Amores Brutos (2001), reprisada, mas enfraquecida, em 21 Gramas (2004), em que os atores são muito melhores do que a história em si, e radicalizada em Babel, que, em muitos momentos parece mesmo uma metástase de Crash. A fórmula de isso-influencia-aquilo ganhou proporções internacionais, com eventos mínimos provocando conseqüências além-mar. Ainda que em menor intensidade, como no filme de Haggis, o longa lança olhares castradores sobre o homem e suas ações, olhares prontos para prender, julgar e executar.

Apesar de ter talento para a direção de atores, Iñarritú não consegue arrendondar as relações entre as histórias muito bem. A facção japonesa é a mais isolada, ligada às outras por um fiapo bem frágil. O drama no Marrocos, quase inerte, parece apenas um apêndice da história que realmente interessa ao diretor, a mexicana, a única que tem vida própria e a que guarda a melhor interpretação do filme, a de Adriana Barraza. No entanto, tal qual Crash, o filme tenta esconder sua fragilidade num tom de denúncia, denúncia de comportamentos, que invade as três histórias.

A linha, necessariamente fatalista em tempos de terror e desconfiança étnica, virou vício do roteirista Guillermo Arriaga, ao mesmo tempo em que se posiciona contra injustiças, ajuda a reforçar diferenças, na estilização das atitudes das personagens, sobretudo as periféricas. O que mais assusta é Arriaga e Iñarritú podem também estar iludidos de que completaram sua missão, missão que a princípio seria tipicamente norte-americana, mas que foi executada por mexicanos, que ganhou prêmio em Cannes, que ganhou o Globo de Ouro, que é apontado como forte candidato ao Oscar - duvido que ganhe - e que possivelmente vai exaurir o cinema deles. Mas com o decreto de que histórias esquartejadas pessimistas são o que há de bom cinema feito hoje, pode ser que eles sejam mais e mais celebrados. E o errado seja quem não está do lado deles.

P.S.: este texto, com algumas adaptações, foi publicado neste blogue em outubro, na época da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

P.S.2: perspectivas para os Oscars de ator coadjuvante e atriz coadjuvante no oscarBUZZ.

[babel ]
direção: Alejandro Gonzalez Iñarritú.
roteiro: Guillermo Arriaga, baseado em idéia de Arriaga e Alejandro González Iñárritu.
elenco: Adriana Barraza, Brad Pitt, Cate Blanchett, Rinko Kikuchi, Gael García Bernal, Jamie McBride, Kôji Yakusho, Lynsey Beauchamp, Nathan Gamble, Elle Fanning, Aaron D. Spears, Clifton Collins Jr..
fotografia: Rodrigo Prieto. montagem: Douglas Crise e Stephen Mirrione. música: Gustavo Santaolalla. desenho de produção: Brigitte Broch. figurinos: Michael Wilkinson produção: Steve Golin, Alejandro González Iñárritu e Jon Kilik. site oficial:
Babel. duração: 142 min. Babel, Estados Unidos, 2006.

nas picapes: [great big world, anne hathaway]


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[solveig dommartin]


[vôo de despedida]



Asas do Desejo (Wim Wenders, 1987)

No último dia 1, Solveig Dommartin bateu as asas pela última vez.

[no sofá]

[no sofá]


[seres rastejantes ]

direção: James Gunn.

Slither, 2006. O pior é que não é um filme necessariamente ruim. Durante a maior parte do tempo, é bastante equilibrado em criar certa tensão e em esculhambar com tudo. É verdade que, às vezes, se assume com tanta veemência como filme trash que perde credibilidade. Trash que é trash é trash por conta do destino, não fica calculando ser trash. Mas mesmo assim as situações ridículas acabam servindo ao filme, numa espécie de lado b que até é bem filmadinho. Parece, obviamente, com muita coisa, mas é só ter boa vontade para encarar tudo como referência que dá pra sedivertir um bocado.

Com Nathan Fillion, Elizabeth Banks, Gregg Henry, Michael Rooker, Don Thompson, Tania Saulnier.





[a bruma assassina ]
[o engima de outro mundo ]

direção: John Carpenter.

The Fog, 1980, e The Thing, 1982. O sobrenatural e a ameaça alienígena. John Carpenter usa seu habitual talento para o estabelecimento da tensão a partir de qualquer material, que sempre ganha duplas conotações e viés político. A vingança de A Bruma Assassina é uma crônica sobre a formação da América disfarçada de história de fantasmas, com momentos assustadores mesmo com um orçamento claramente limitado, que une mãe Janet Leigh e filha Jamie Lee Curtis. Já a obra-prima O Enigma do Outro Mundo, uma das parcerias de Carpenter com o ator Kurt Russell, é uma engenhosa alusão ao clima de tensão global na época do governo Reagan. O conflito, a desconfiança e a suspeita surgem a partir dos detalhes, do mínimo. Isso tudo numa história de monstro, versão de um clássico fatalista dos anos 50. Delicioso e politizado.

Com Jamie Lee Curtis, Adrienne Barbeau, Janet Leigh, John Houseman, Tom Atkins, Ty Mitchell, Hal Holbrook, John Carpenter.

Com Kurt Russell, Wilford Brimley, Keith David, Richard A. Dysart, Richard Masur, Donald Moffat, John Carpenter.


 
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